A Palavra de Deus - que foi escrita para que tenhamos esperança (cf. 2.ª
leitura) - mostra-nos como Deus nos abre caminhos de esperança,
precisamente onde menos esperávamos ver brotar os sinais da mudança:
no toco de uma árvore que faz rebentar de novo, no sonho de uma paz que
parecia impossível, no deserto do pecado e da conversão, em que Deus abre
uma estrada com saída para o futuro!
Votos de um santo Advento, de um santo Domingo e de uma semana
abençoada.
Senhor Jesus, Tu és a esperança que se cumpre: és o rebento que brota do
tronco de Jessé!
Acendemos a segunda vela da coroa do Advento, para acolhermos a Tua Luz.
Abre-nos clarões de esperança, quando, pela noite, o mal avança. Dá-nos a Tua
Luz terna e suave, para olhar com confiança o futuro que esperamos, num sonho
de justiça e de Paz. Dá-nos uma visão de futuro e converte-nos em instrumentos
ativos daquela mudança que sonhas ver em nós e queremos real à nossa volta.
Ámen.
Caros amigos: a figura de João Batista, a pregar no deserto, é também uma
imagem da esperança. Precisamente aí, nesse lugar de morte e de pecado, há
uma voz e há um caminho aberto: Deus fala e abre uma estrada de salvação,
uma estrada com saída para o futuro. Mas a figura de João Batista ensina-nos,
com todo o realismo, que esta esperança se conjuga com a conversão, com o
nosso regresso a Deus, com uma mudança de direção. É uma mudança – esta a
que Deus sonha – na qual afinal estamos todos implicados: dela somos todos
destinatários e atores. Por isso, o apelo de João Batista é muito assertivo: não
interessam apenas boas intenções: «Praticai ações que se conformem à
conversão». Os ideais e os sonhos de um mundo novo, de um mundo de paz, de
um mundo fraterno, não se realizarão sem a transformação da nossa hostilidade
em hospitalidade (acolhimento em vez de exclusão), da nossa violência em
ternura (mansidão em vez de vingança), da nossa impaciência em esperança
(serena espera em vez de pressa ansiosa). É que ambos, o lobo devorador e o
manso cordeiro, a cobra e o menino, coabitam e lutam dentro de nós. Quem
vencerá? Vencerá aquele que nós alimentarmos! Alimentemos os mesmos
sentimentos que há em Cristo Jesus, mantendo-nos unidos de alma e coração!
Não há nenhuma esperança realista, sem uma mudança efetiva das pedras em
filhos de Abraão, isto é, dos inimigos em irmãos!