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A sede e fome põem em causa a nossa sobrevivência! E, por isso, são duas
privações, que testam até ao limite os nossos limites e nos põem absolutamente à
prova. Onde há gente a morrer de fome e de sede, como se pode falar ainda de
humanidade? Como se poderá ainda falar de Deus a estômagos vazios? O Povo de
Deus conheceu bem o tormento da sua sede no deserto, a tal ponto que se
interrogava: «O Senhor está ou não no meio de nós?». E, Junto ao poço de Jacob
encontram-se, inesperadamente, Jesus e a Samaritana. E ambos têm sede.
Entretanto, também por ali há também fome, pois "os discípulos tinham ido à
cidade comprar alimentos". E quando regressam, dizem a Jesus: "Mestre, come".
E Jesus, assim como mostrou ter outra sede e outra água para oferecer, também
fala de outro alimento, que sustenta a sua vida: fazer a vontade do Pai! Há um
pão que alimenta o corpo. E há um alimento que sustenta a vida inteira!
Votos de um Santo Domingo e de uma Quaresma abençoada.
Senhor, Tu esperas-me em todos os poços de água viva. O poço é a minha
família, o meu trabalho, o meu lugar. É o meu coração. Eu continuo a chegar,
com o meu cântaro vazio, em busca de serenidade e de plenitude.
Aparentemente, como a Samaritana, tenho tudo para beber; o poço, o cântaro
e a corda; mas nada me sacia. Dá-me dessa água, que alivia o cansaço do meu
caminho, que liberta de tantas desilusões, que aclara o meu olhar e coração
para ver os outros como irmãos. Ámen.
Estamos a entrar no coração da Quaresma. Esta é a semana que nos desafia a
purificar e a elevar os nossos desejos, que tantas vezes afogamos em
excessos de comida e de bebida. Para quem está farto, nenhuma comida sabe
bem; para quem não tem sede, nenhuma bebida apetece! O excesso de
comida e de bebida – num consumo sempre superior às nossas necessidades
– degrada-nos o corpo e a alma; faz-nos perder o sentido do paladar e destrói
também a nossa sensibilidade espiritual. Como se pode ter predisposição para
rezar, como se pode saborear o alimento eucarístico, com o estômago a
abarrotar? Como se pode apreciar o pão e o vinho eucarísticos, se nem sequer
valorizamos a simplicidade do pão quotidiano e de um copo de água fresca?
Precisamos de compreender que, também, para saciar a fome e a sede,
“quanto menos, tanto mais” quanto menos tem o prato, tanto mais se
saboreia a comida! Dizia Santo Inácio de Loyola: “Não é o muito saber que
sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear internamente as coisas” .
Combatamos o consumismo obsessivo, cultivemos a frugalidade,
regressemos à sobriedade e à simplicidade, para despertarmos em nós a
fome de outro alimento, para escavarmos, no fundo do poço da nossa alma,
um fio de água viva!